Roteiro Turístico, Alcantarilha1. Jardim da MoagemForam inúmeros os lagares de azeite existentes em tempos na freguesia de Alcantarilha, em 1947 existiam ainda 5 lagares.
Para homenagear e recordar a importância que esta atividade representou, foi construído o Jardim da Moagem, localizado entre dois antigos lagares, hoje, a casa das Tintas Barbot e o Restaurante “A Moagem”.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/40baec2bce38b542703ebb465e579799.webp2. Igreja de Nossa Senhora do CarmoA capela de Nossa Senhora do Carmo é igualmente Imóvel de Valor Concelhio. Templo antigo, no quintal anexo terá existido um cemitério depois de outro, anterior, ter sido encerrado junto à igreja da Misericórdia.
O templo surpreende pela simplicidade e pelas suas linhas sóbrias. Curioso é o campanário de dois sinos, a encimar a fachada.
No retábulo principal, destaca-se a belíssima imagem de Nossa Senhora do Carmo, com o Menino nos braços, da segunda metade do século XVIII. É uma primorosa obra de arte esculpida em madeira; a Virgem Maria apresenta-se com um rosto de invulgar serenidade, um olhar esclarecido, dominador, porém doce, humano e frágil, maternal.
O Menino que eleva sobre o braço esquerdo já não tem a mesma perfeição; a intenção do artista em divinizá-lo não lhe deu os traços fisionómicos que se impunham à inocência de uma criança, aqui com um rosto algo adulto. Mesmo assim, trata-se de uma imagem admirável, no seu conjunto.
Merecem ainda referência as imagens de S. Francisco e de Santa Bárbara, ambas do século XVIII, menos perfeitas, revelando traços de um artesanato mais popular, principalmente a de S. Francisco.
Junto desta igreja realizava-se anualmente, no último Domingo de Julho, uma festa muito concorrida que depois passou para o segundo Domingo de Setembro.
De 1837 a 1848, foi administrada por uma comissão de cinco membros, tendo o prior José Agostinho de Almeida organizado os seus estatutos.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/107f2ff27869a8f61b3ec78c669626b1.webp3. Castelo de AlcantarilhaDas muralhas ou do chamado Castelo de Alcantarilha ainda resistem alguns vestígios da cerca abaluartada implantada no interior do espaço urbanizado de Alcantarilha, entre a Travessa do Castelo e o Largo
General Humberto Delgado e no que respeita à sua data de execução há várias teses.
Alguns autores defendem a ideia de que na época da Reconquista Cristã da Península Ibérica, quando foi tomada aos mouros pelo Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia, sob o reinado de D. Afonso III, terá determinado a edificação do Castelo de Alcantarilha, tendo, assim, uma origem islâmico-medieval.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/210f902578b1d921da3f1292cc4d1413.webp4. Igreja da MisericórdiaA Igreja da Misericórdia é outro importantíssimo elemento do património histórico-cultural de Alcantarilha. Templo urbano, tem no arco da porta a data da sua construção: 1586. Trata-se, assim, de uma igreja construída durante o reinado de Filipe II de Espanha (I de Portugal), depois da vila ter sido fortificada por D. Sebastião.
Imóvel de Valor Concelhio, a igreja da Misericórdia é um pequeno templo, com treze metros de comprimento por seis de largura, orientado no sentido Nascente - Poente.
Na frontaria, de barroco renascentista, destaca-se a cantaria da porta com uma sóbria decoração simétrica, uma coroa fechada e uma cruz sobre três crânios que simbolizam o monte (calvário), além das armas emblemáticas dos Franciscanos. A encimar a fachada, encontra-se uma belíssima cruz de ferro forjado, artisticamente rendilhada. Reza a tradição que num quintal anexo ao templo se situava o antigo cemitério.
A entrada para a capela-mor faz-se pelo arco triunfal, de pedra, que inicia a abóbada de canhão do mesmo altar, com uma cobertura mais baixa do que a do corpo do templo, em forma de masseira. Ainda na capela-mor merece referência o banco de espaldar, do século XIX.
No corpo do templo, do lado esquerdo, destaca-se o outro banco de espaldar, este para o assento dos mesários. Em frente da bancada situa-se o púlpito, de madeira, de 1818. Do lado da Epístola, expõem-se as lanternas das procissões; do lado do Evangelho, as sete bandeiras, incluindo a bandeira real.
No que refere à arte sacra, salienta-se ainda um Senhor Crucificado, do século XIX, e as interessantes imagens de S. Francisco e Santo Amaro, o primeiro do século XVII e o segundo do século XVIII.
A igreja da Misericórdia também tem o que parece ser a mais antiga lápide tumular conhecida em Alcantarilha, cuja inscrição diz o seguinte: Sa. de Balr Roiz Navio e sva Molher Lia (...) 1323(?) R Vidal. Trata-se da sepultura de Baltazar(?) Rodrigues Navio e sua mulher, Leonor(?), cuja data, presumivelmente de 1323, é de leitura ambígua, aproximando-se também de 1523. Qualquer uma das datas é, contudo, anterior à fundação do templo, pelo que a sepultura é, com certeza, oriunda de outro templo mais antigo.
No exterior da igreja, à direita do observador, sobreposto à porta de entrada para a dependência da Santa Casa, existe um pequeno campanário de um só sino. Em 1936, ou 1937, foi retirado um adro que existia em frente do templo, pelo que a soleira da porta desceu.
O mega-sismo de 1755 não deve ter afectado significativamente a igreja e também não terá alterado a casa do hospital da Misericórdia, cujas frontarias continuam no mesmo alinhamento.
Recentemente, o templo voltou a ser objecto de uma intervenção, iniciada em 2002, com obras realizadas na fachada, telhado, guarda ventos, instalações sanitárias e arquivo.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/5395ac2596265b4cd17003f567c66d9f.webp5. Igreja matriz nossa senhora da conceiçãoA igreja matriz de Alcantarilha, de Nossa Senhora da Conceição, construída no século XVI, é o principal monumento da Vila, classificado como Imóvel de Interesse Público.
De planta longitudinal de três naves, o templo é dominado, principalmente, pelos estilos manuelino e barroco. Exteriormente, a fachada principal, com embasamento proeminente, tem três panos, marcados por pilastras. No central abre-se o portal, com volutas nas extremidades das ombreiras e com um frontão curvo. Superiormente, o muro é rasgado e forma três registos rematados por um pequeno cupulim. O alçado posterior é ocupado por uma construção moderna, para serviços da paróquia.
O retábulo rococó, de talha dourada e policromada, de três eixos, com tribuna central, contem um trono de três degraus, ladeado por duas mísulas contendo imaginária.
Os eixos são definidos por pilastras segmentadas por cornijas, apresentando perfis distintos, as quais assentam em duplos plintos, sendo os superiores bojudos. O ático adapta-se à estrutura arquitectónica, sendo composto por pequenas pilastras, à volta das quais evoluem acantos. No fecho, há uma coroa aberta e, sobre o trono da tribuna, um baldaquino assente em quarteirões. Os motivos decorativos dominantes são acantos, concheados, enrolamentos e cartelas douradas sobre fundo marmoreado.
No altar-mor está a imagem da Padroeira, que se destaca no interessante espólio de arte sacra do templo. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, em madeira, esculpida no século XVIII por um autor desconhecido, mede 115 cm por 47 cm. Esta imagem representativa de Santa Maria, coroada, é deveras extraordinária. Tem no olhar uma profunda expressão de diálogo com o Além; um olhar vivo, um enigmático sorriso, o rosto levantado mas a cabeça ligeiramente inclinada para a esquerda: o lugar do Seu Imaculado coração. A expressão do rosto é arrebatadora: taumaturgo e metafísico, porém humano. O artista soube dar-Lhe um ar de pureza e divindade que envolve o ambiente como uma estranha luz auxiliada pela talha dourada barroca do altar que Lhe serve de cenário. Não tem, como Outras, o Menino nos braços; as mãos juntam-se em humilde acto de oração. A luz acentua-se no branco do vestido, encandeando o manto azul, ornamentado com motivos florais, com o forro em rosa que sobressai na dobra sobre o braço esquerdo, descendo - com o vestido - sobre a meia-lua que tem sob os pés e três cabeças erguidas de anjos rechonchudos que parecem seguir o olhar de Nossa Senhora, como se vislumbrassem a presença de Deus, sem receio da serpente que se enrola nos seus pescoços.
Do património sacro da matriz, destacam-se ainda as imagens de Santa Ana e o Senhor Crucificado, ambas do século XVII; São Pedro, Arcanjo São Miguel, Santo António, outro Senhor Crucificado, todos do século XVIII; o arcaz da sacristia, do século XVIII; o retábulo da capela do Santíssimo Sacramento e São Luís, ambos do século XIX; Nossa Senhora da Saúde, dos séculos XIX-XX; Menino Jesus, inícios do século XX. Refira-se ainda o baptistério, decorado com interessantes azulejos e uma sumptuosa pia baptismal.
A torre da igreja avista-se por entre as ruelas estreitíssimas de Alcantarilha. Construída em 1848, é recolhida na fachada, à direita do observador. Tem quatro sinos: o maior tem uma cruz, a imagem e o nome de Nossa Senhora da Conceição; diz que foi feito em Lisboa por António Manuel Santareno, \"na fabrica da Rva Avgvsta no Anno de 1847\". O segundo é novo, de 1937; apresenta uma cruz e uma custódia. O terceiro tem a imagem de Nossa Senhora do Carmo; foi feito em Lisboa por José Domingues da Costa, em 1795. O quarto tem uma cruz.
Das várias alterações que o templo sofreu, nomeadamente após o terramoto de 1755, salienta-se a construção do coro, para cujas obras foi solicitado, em 1876, um subsídio ao rei D. Luís.
Importante foi a intervenção realizada pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, em 1971, que constou da demolição do pavimento em mau estado, assentamento de pavimento de tijoleira e de lajedo de cantaria da região, apeamento de um lambril de azulejo, reconstrução de rebocos, construção e assentamento de tectos de madeira tipo camisa e saia com cimalha nas naves. Nos finais do século XX, foi restaurado o retábulo, sendo executada nova talha na zona do altar.
Igreja Matriz de Alcantarilha do séc. XVI, com Capela-mor do estilo Manuelino.
Em anexo encontra-se a capela dos ossos, provenientes de um antigo cemitério do adro da Igreja Padroeira Nossa Senhora da Conceição.
Existem mais três Igrejas (Capelas):
• Nossa Senhora do Carmo, que serve de capela funerária;
• São Sebastião
• Misericórdia, pertença da Santa Casa da Misericórdia.
Festa Anual no 2º fim-de-semana de Setembro em Honra de Nossa Senhora do Carmo.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/b34b8e68d6f72c86426da1e9cf51d9f0.webp6. Capela dos OssosAnexa à igreja matriz, encontramos uma curiosíssima Capela dos Ossos, do século XVI, que segue o gosto nacional por este tipo de capelas, pois existem em vários pontos do país, como em Évora e, no Algarve, em Faro e Lagos. É Imóvel de Valor Concelhio.
Além do seu aspecto e da \"ornamentação\" completamente invulgar, \"forrada\" que está interiormente com ossos e crânios humanos, provavelmente oriundos de um antigo cemitério, o que denota uma estranha religiosidade, em termos de arte sacra a capela limita-se à imagem do altar, o Senhor Crucificado, um curioso trabalho em madeira, do século XVI, provavelmente proveniente de um antigo altar da igreja matriz (o do Senhor Jesus?). Sofreu, certamente, algum restauro, como parece denotar o tamanho do braço direito, mais curto.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/0503f387bb4dc8f02a9d43f86f72a6fa.webp7. LavadouroQuando os lavadouros públicos foram construídos um pouco por toda a parte, tinham funções bem definidas como o seu próprio nome indica. Além do serviço público que prestavam ás populações, tal como os poços e as fontes, os lavadouros eram também lugares de convívio social e, principalmente, ponto de encontro das mulheres do povo.
Ainda, mediante os seus estilos arquitetónicos, alguns deles eram e ainda são autênticas obras de arte.
Alcantarilha tinha um velho e singular lavadouro público de outros tempos, situado na parte nascente da vila, junto da ribeira e do poço que abastecia de água a população.
Durante muito tempo em ruinas, o lavadouro foi objeto de restauro por parte da autarquia que lhe restituiu simbolicamente a dignidade merecida como elemento integrante da cultura, da história, da memória local e do património etnográfico que representa.
Outro lavadouro, atualmente ainda em ruinas, que serviu de apoio ás populações rurais, situa-se na Mesquita, na extrema da freguesia, junto á estrada para Algoz.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/bccf643a000e0def81d81d5e5add7145.webp8. Jardim da JuntaMais recentemente, na década de noventa foi construído o Jardim da Junta, uma área importante para lazer e embelezamento pelo seu enquadramento na localidade.
Situado junto aos equipamentos mais importantes da freguesia, nomeadamente a Junta, os Bombeiros, as Escolas, a Santa Casa da Misericordia e mais tarde o Centro de Saúde e o Mercado Municipal.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/95d442de5f553af71bf38d3cae1f023d.webp9. Capela das ArtesO solar ou casa senhorial da Quinta da Cruz, com características arquitetónicas que vão do século XV ao XIX, é um exemplo representativo da conjugação da arquitetura rústica e erudita das residências de famílias ilustres algarvias.
Seguindo a tradição da casa rural algarvia que, inicialmente, no século XV, seria térrea, mas que depois passou a ter outro piso, destacam-se os característicos telhados de tesouro e oratório interior com cúpula em forma de calote esférica, no piso superior, como é o caso da Quinta da Cruz. Esta capela privada foi consagrada em 1791 pelo bispo do Algarve, D. Francisco Gomes Avelar.
Foi propriedade da família Mascarenhas e, como outras casas agrícolas, teve um papel de relevo na economia local, com destaque para o seu lagar de azeite, um dos únicos existentes em Alcantarilha em finais do século XVIII, com a particularidade de ter sido o primeiro a trabalhar a vapor existente em Portugal. Destacam-se, na quinta, um poço histórico, que abasteceu Alcantarilha de água durante séculos.
Imóvel de Valor Concelhio, hoje adaptado a complexo turístico rural, atualmente a Quinta da Cruz denomina-se Capela das Artes e representa um interessante investimento de recuperação de um imóvel que estava completamente devoluto e que agora passa a aliar as artes ao turismo, num hotel de vocação cultural e artística.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/75a706511960b318297376f5b9cb71e3.webp10. Jardim Nossa S. PeregrinaConstruído no século XXI, aquando da visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima a Alcantarilha entre 16 e 23 de Agosto de 2008. Sendo um ponto de encontro dos crentes de Alcantarilha que têm como Padroeira Nossa Senhora da Conceição, a devoção á Virgem Maria ocupa um lugar de destaque na religiosidade cristã, sobretudo entre católicos e ortodoxos.
Imagem: uploads/roteiro_turistico/3cee1befae2e2735e637d8c437730496.webp11. Capela de São SebastiãoImóvel de Valor Concelhio, situa-se fora da vila, perto do cemitério. É um pequeno templo rural, de 1703, com linhas simples e sóbrias, sem grande desenvoltura. Mas, a fachada, embora modesta, não deixa de ter um encanto particular, dominada pelo pequeno pórtico, janelão, frontão triangular encimado por uma cruz rendilhada de ferro forjado. Porém, o equilíbrio e a harmonia da fachada vêm dos dois campanários que a ladeiam, um dos quais, o da direita do observador, com sino.
Fundada, como tantas outras capelas com a mesma evocação, à entrada dos aglomerados populacionais por veneração do santo protetor contra a cólera, terrível doença que tantas vítimas causou no Algarve, também em Alcantarilha situa-se fora do aglomerado urbano, à beira de um antigo caminho que levava à vila, para que os viajantes ficassem purificados antes de entrar. Segundo a tradição, no local onde foi erguida a capela terá rezado D. Sebastião aquando da sua visita a Alcantarilha em 1573.
Merece referência a imagem de S. Sebastião, em madeira, colocada no altar-mor; obra recente, de aspeto romântico, dos finais do século XIX ou princípios do XX, representa o santo agonizado, no encosto de um madeiro, semi-nu, marcado pelas feridas das setas (já desaparecidas.)
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